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Os Fariseus foram um grupo religioso e político que desempenhou um papel significativo na sociedade judaica durante o período do Segundo Templo, especialmente entre os séculos II a.C. e I d.C. Eles são frequentemente mencionados no Novo Testamento da Bíblia, onde são retratados como opositores de Jesus Cristo. Os Fariseus eram conhecidos por sua rigorosa observância da Lei Mosaica e por suas tradições orais, que interpretavam e complementavam a Torá escrita. Este grupo buscava uma vida de pureza e santidade, acreditando que a observância meticulosa da lei era essencial para agradar a Deus.
A origem dos Fariseus remonta ao período dos Macabeus, quando surgiram como uma facção distinta dentro do judaísmo. Eles se destacaram por sua oposição ao helenismo e à influência cultural grega que ameaçava a identidade judaica. Os Fariseus se diferenciavam de outros grupos, como os Saduceus, por sua ênfase na tradição oral e na interpretação da lei. Eles acreditavam que a Torá escrita precisava ser complementada por uma tradição oral que explicasse e aplicasse os mandamentos divinos às situações cotidianas. Essa tradição oral foi posteriormente codificada no Talmude.
Os Fariseus acreditavam na ressurreição dos mortos, na existência de anjos e espíritos, e na providência divina. Eles enfatizavam a importância da pureza ritual e da observância dos mandamentos, tanto os escritos quanto os orais. Os Fariseus praticavam a oração, o jejum e a caridade como formas de demonstrar sua devoção a Deus. Eles também eram conhecidos por seu zelo em ensinar e interpretar a lei, muitas vezes estabelecendo regras adicionais para garantir que os mandamentos fossem cumpridos de maneira rigorosa.
No Novo Testamento, os Fariseus são frequentemente retratados como adversários de Jesus Cristo. Eles criticavam Jesus por suas interpretações da lei e por suas associações com pecadores e cobradores de impostos. Jesus, por sua vez, criticava os Fariseus por sua hipocrisia e por colocarem tradições humanas acima dos mandamentos divinos. Apesar das tensões entre Jesus e os Fariseus, alguns membros deste grupo, como Nicodemos e José de Arimateia, mostraram interesse e simpatia pelo ensino de Jesus.
Após a destruição do Segundo Templo em 70 d.C., os Fariseus desempenharam um papel crucial na formação do judaísmo rabínico. Sua ênfase na lei oral e na interpretação da Torá tornou-se a base para o desenvolvimento do Talmude, que é central para o judaísmo rabínico. Os ensinamentos dos Fariseus sobre a observância da lei, a pureza ritual e a vida comunitária continuaram a influenciar a prática religiosa judaica por séculos. A tradição farisaica de estudo e debate da lei permanece uma característica distintiva do judaísmo até os dias de hoje.
Os Fariseus e os Saduceus eram dois dos principais grupos religiosos e políticos do judaísmo no período do Segundo Templo. Enquanto os Fariseus enfatizavam a tradição oral e acreditavam na ressurreição dos mortos, os Saduceus rejeitavam a tradição oral e negavam a ressurreição. Os Saduceus eram geralmente da classe sacerdotal e aristocrática, enquanto os Fariseus eram mais populares entre as classes médias e baixas. Os conflitos entre esses dois grupos refletiam suas diferenças teológicas e sociais, e ambos competiam por influência e poder dentro da sociedade judaica.
Além do Novo Testamento, os Fariseus são mencionados em várias obras da literatura judaica, incluindo o Talmude e os escritos de Flávio Josefo. No Talmude, os Fariseus são frequentemente elogiados por sua devoção à lei e por seu papel na preservação e transmissão da tradição judaica. Flávio Josefo, um historiador judeu do século I, descreve os Fariseus como um grupo influente e respeitado, conhecido por sua piedade e conhecimento da lei. Essas fontes fornecem uma visão mais equilibrada e complexa dos Fariseus, contrastando com a imagem negativa frequentemente encontrada no Novo Testamento.
A tradição oral dos Fariseus, conhecida como a Torá Oral, era uma coleção de interpretações, ensinamentos e práticas que complementavam a Torá escrita. Os Fariseus acreditavam que Moisés havia recebido tanto a Torá escrita quanto a oral no Monte Sinai, e que a Torá Oral era essencial para a correta interpretação e aplicação da lei divina. Esta tradição oral foi transmitida de geração em geração e, eventualmente, codificada no Talmude. A Torá Oral incluía discussões sobre a lei, decisões legais, e ensinamentos éticos e morais, refletindo a riqueza e a diversidade do pensamento farisaico.
Os Fariseus tiveram um impacto duradouro na cultura judaica, especialmente através de sua ênfase no estudo e na interpretação da lei. Eles promoveram a ideia de que cada judeu tinha a responsabilidade de estudar a Torá e viver de acordo com seus mandamentos. Essa ênfase no estudo e na educação tornou-se uma característica central da cultura judaica, influenciando a vida comunitária, a prática religiosa e a identidade judaica. A tradição farisaica de debate e interpretação da lei também contribuiu para o desenvolvimento de uma rica tradição literária e intelectual dentro do judaísmo.
O legado dos Fariseus é evidente na continuidade do judaísmo rabínico, que se baseia em muitos dos princípios e práticas estabelecidos por este grupo. A ênfase na lei oral, na interpretação da Torá e na vida comunitária são aspectos centrais do judaísmo rabínico que têm suas raízes no farisaísmo. Além disso, a tradição farisaica de estudo e debate da lei continua a ser uma parte vital da vida judaica, refletindo a duradoura influência dos Fariseus na prática e na identidade judaica.